No outro dia vi-te no Oriente
em ritmo meio louco, estranho e fugidio
sem deixares o rasgo de um olhar decente
sem misturares a paixão com o ser vadio
lembrei-me logo das contradições impulsivas
dos traços de fuga improvisada
das mensagens em meio termo repulsivas
da minha paixão incerta de badalada
No outro dia vi-te no Oriente
procurei-te as costas em passo acelerado
numa mistura de mau com bom ambiente
numa luz incerta digna do sonho descarado
vieram-me à memória as sensações esquecidas
momentos em que te via as estimas
lembranças deixadas em torradas humedecidas
e isto tudo caracterizado em tenras rimas
No outro dia vi-te no Oriente
e não soube o espanto da cara a esboçar
perseguir-te com os olhos, memórias e ambiente
ou saber ter a arte e coragem de te deixar
Comovi-me, xateei-me e cresci em pena
optei entre querer lembrar ou esquecer
escolhi terminar a memória com conversa amena
a última em que me lembro de nos ter
No outro dia vi-te no Oriente
e expulsei-te voluntariamente de mim
com silêncios de fala e conversas de mente
impus a todo este mundo lembrado o fim
Não me voltarei a ficar por risos não amado
Não me voltarás a ver em memórias ou visão
E se me convidares em último impulso desesperado
Direi pela primeira vez, e numa última vez...não.
31/07/2007